A dieta cetogênica vai além do emagrecimento — e, por isso, é alvo de pesquisas científicas em diversas áreas da saúde. Importante: a dieta é uma intervenção alimentar e não substitui tratamentos médicos. Veja o que a ciência investiga:
1. Epilepsia
O uso clínico mais antigo e documentado da dieta cetogênica é na epilepsia infantil refratária a medicamentos — sempre conduzido por equipe médica especializada.
2. Diabetes tipo 2
Estudos observam que a redução de carboidratos pode ajudar no controle glicêmico de algumas pessoas com diabetes tipo 2 — mas qualquer mudança nesse sentido exige acompanhamento médico, pois há risco de hipoglicemia em quem usa medicação.
3. Doença de Alzheimer
Pesquisas iniciais investigam se a cetose fornece uma fonte alternativa de energia ao cérebro — até o momento, sem evidência conclusiva em humanos sobre o Alzheimer.
4. Síndrome do ovário policístico (SOP)
Alguns estudos pequenos sugerem benefícios da dieta cetogênica para mulheres com síndrome do ovário policístico — evidência ainda limitada, que não dispensa acompanhamento médico.
5. Doenças neurológicas
Parkinson, esclerose múltipla e outras condições neurológicas também são alvo de pesquisas sobre os efeitos da cetose — todas em estágio inicial, sem recomendação clínica estabelecida.
Outras áreas em pesquisa
Além das cinco condições já mencionadas, a pesquisa científica continua revelando novos horizontes para a dieta cetogênica. A enxaqueca, por exemplo, responde de forma impressionante à cetose nutricional. Estudos mostram que a dieta cetogênica pode reduzir em até 70% a frequência e intensidade das crises de enxaqueca, possivelmente por estabilizar o metabolismo energético cerebral e reduzir a inflamação neural.
A síndrome metabólica é outra condição que encontra na dieta cetogênica uma abordagem quase personalizada. Caracterizada por pressão alta, glicose elevada, excesso de gordura abdominal e colesterol alterado, a síndrome metabólica afeta cerca de 25% da população mundial. segundo a Harvard T.H. Chan School of Public Health Um estudo de 2021 no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism mostrou que 70% dos participantes com síndrome metabólica apresentaram melhora do quadro após 12 semanas de dieta cetogênica bem formulada.
Para quem sofre com doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), a dieta cetogênica oferece benefícios notáveis. A redução de carboidratos diminui a produção hepática de gordura (lipogênese de novo), enquanto as gorduras saudáveis da dieta ajudam a mobilizar a gordura já acumulada no fígado. Pesquisas mostram redução de até 40% no conteúdo de gordura hepática após 6 meses de dieta cetogênica, com melhora significativa dos marcadores inflamatórios.
A acne é uma condição inflamatória que também se beneficia da redução de carboidratos. Alimentos com alto índice glicêmico disparam picos de insulina que aumentam a produção de sebo e a inflamação das glândulas sebáceas. Ao eliminar esses picos, a dieta cetogênica pode melhorar significativamente a acne. Um estudo com 120 participantes mostrou que seguir uma dieta low-carb cetogênica reduziu as lesões de acne em até 50% em apenas 12 semanas.
A ciência está apenas arranhando a superfície do potencial terapêutico da cetose. Estudos emergentes investigam seu papel na esclerose lateral amiotrófica (ELA), lesões cerebrais traumáticas, glaucoma e até transtornos psiquiátricos como depressão bipolar. O denominador comum? A estabilização metabólica e a redução da inflamação que a cetose proporciona — dois pilares fundamentais para a saúde celular.